quinta-feira, 22 de setembro de 2011

GRILEIROS USARAM ATÉ NOME DE DEFICIENTE PARA VENDER TERRAS PÚBLICAS

Operação Grilo, comandada pela Polícia Federal, Ministério Público e Receita Estadual, desmontou esquema de grilagem e venda de terrenos públicos

Maria Clara Prates - Estado de Minas
Publicação: 21/09/2011 06:08 Atualização: 21/09/2011 08:11 

A organização criminosa que se especializou na grilagem e venda de terras públicas chegou a usar um deficiente mental na negociação de um terreno de 92 mil hectares no Norte do estado. João Batista Barbosa Aguilar tem em seu nome ação de interdição número 0570.06.011624-3, proposta pela tia, Ivete Barbosa da Silva em 2006 na Comarca de Salinas.

Em depoimento ao MP, Ivete afirma ter sido procurada em sua casa em outubro de 2010 por dois homens que se identificaram como Ricardo, que seria genro de Mauro, apontado como diretor clínico da Policlínica Salinense, e Oró. Conforme o MP, Oró seria Orozino Marques Carvalho, que atuava como “empresário” no esquema.

Ao iniciar a conversa com Ivete, ambos anunciaram conhecer João Batista de uma associação, onde, ainda conforme os dois visitantes, o sobrinho daria palestras. Ivete achou estranho, diante das limitações do parente. Em seguida, Ricardo e Oró afirmaram que terras abandonadas na região foram sorteadas entre integrantes da associação e que João Batista seria um dos “sortudos”. Os dois homens afirmaram que já haviam iniciado a transferência da propriedade e, neste momento, ouviram de Ivete que o sobrinho era judicialmente interditado. Ricardo e Oró, então, perguntaram a Ivete se não estava interessada em receber a propriedade em favor do sobrinho. A mulher disse que não queria as terras e que não acreditava no sorteio. Os homens desistiram da oferta e foram embora.
Em 31 de dezembro de 2010, Oró retornou à casa de Ivete. Afirmou que precisava encerrar o sorteio e prometeu à mulher R$ 10 mil se assinasse um documento. A resposta da tia de João foi que não precisava de dinheiro. Oró foi embora com a promessa de que retornaria em fevereiro, o que não aconteceu.

No depoimento, Ivete afirma ter ficado surpresa ao tomar conhecimento de uma certidão emitida pelo cartório de registro de imóveis, assinado pelo oficial substituto, Daniel Fernandes de Oliveira em 17 de março de 2011, que torna pública a transferência de imóvel pertencente ao Estado de Minas Gerais a favor do sobrinho. O documento diria ainda que João Batista teria vendido a propriedade para Luciana Rocha Mendes por R$ 36.862,32. Ivete nega ter havido qualquer negociação entre João Batista e a mulher citada no documento emitido pelo cartório.

Entenda o caso

» Grileiros expulsam posseiros das terras devolutas e, com a ajuda de funcionária de um cartório no município de Indaiabira, no Norte de Minas, registram os terrenos em nome de laranjas.

» Com a participação de funcionários do Instituto de Terras do Estado de Minas Gerais (Iter-MG), eles conseguem documentos irregulares para garantir a posse dos territórios roubados.

» Em seguida, os terrenos são revendidos para intermediários, que negociam as terras com mineradoras.

» Em uma dessas ações, o terreno chegou a ser vendido por R$ 41 milhões.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

PARA RELEMBRARMOS - FORRÓ MINEIRO





OPERAÇÃO GRILO ENVOLVE MUNICÍPIO DE SALINAS

Operação Grilo prende acusados de

vender terras públicas para mineradora



Operação foi deflagrada no Norte de Minas, na manhã desta terça-feira. 20, pelo MPMG , SEF, PF e PMMG



Agentes do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), da Polícia Federal (PF), da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) e da Secretaria de Estado da Fazenda (SEF) estão realizaram na manhã de terça-feira, 20, a "Operação Grilo". A operação cumpriu nove mandados de prisão, apreendeu 10 carros e bloqueou R$ 35 milhões em contas e aplicações bancárias. Os mandados foram expedidos pelos juízos das Comarcas de São João do Paraíso e de Salinas.

As investigações que antecederam a operação foram feitas pelo Ministério Público e pela Secretaria da Fazenda com o objetivo de desarticular quadrilha especializada na "grilagem" de terras públicas que são vendidas posteriormente a grandes mineradoras interessadas na exploração de mina de ferro descoberta na região Norte do Estado de Minas Gerais.

As investigações recaem especialmente sobre a Secretaria Extraordinária de Assuntos Fundiários, sobre o Iter/MG (Instituto de Terras do Estado de Minas Gerais) e sobre outros servidores públicos estaduais e municipais.

As referidas decisões determinaram a prisão de 10 pessoas supostamente envolvidas no esquema criminoso, as quais estão sendo cumpridas pela Polícia Federal.

Também foi determinado o afastamento dos respectivos cargos de vários servidores públicos acusados de colaborar com as ações criminosas.

Segundo revelaram as apurações, em data recente, as pessoas sob investigação receberam, em dinheiro, importância equivalente a R$41 milhões provenientes da venda irregular de imóveis públicos a mineradora multinacional.

As decisões judiciais ainda determinaram a apreensão desse dinheiro junto às instituições bancárias, por meio do Banco Central.

Ainda de forma cautelar, fora determinada a imediata suspensão de todos os procedimentos em curso no Iter/MG envolvendo a legitimação de terras na região Norte do Estado de Minas Gerais, como forma de se proteger o patrimônio público do Estado.

Participam da Operação, pelo MPMG, os promotores de defesa do Patrimônio Público. Paulo Márcio da Silva, coordenador regional de Defesa do Patrimônio Público; Daniel Castro e Melo, de Rio Pardo de Minas/São João do Paraíso;
João Paulo Alvarenga Brant, da Comarca de Salinas/Taiobeiras; Bruno de Oliveira Muller, da Comarca de Salinas/São João do Paraíso.

* Com informações das Ascom do MPMG.

FOLIA DE REIS NA ESCOLA MUNICIPAL DE ÁGUA BOA - SANTA CRUZ DE SALINAS - MG - 11/09/2025

 OFICINA DE FOLIA DE REIS NA ESCOLA FOLIA DE REIS E SÃO SEBASTIÃO “RESGATANDO RAÍZES”, DE ÁGUA BOA DE SANTA CRUZ   A Folia de Reis “Resg...